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Universidade Federal da Bahia |
Repositório Institucional da UFBA
Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/40683
Tipo: Dissertação
Título: Experiências assistenciais de mulheres vivendo em municípios rurais remotos do semiárido: atenção ao pré-natal, parto e puerpério e controle do câncer de colo do útero
Autor(es): Porto, João Antônio Brito
Primeiro Orientador: Santos, Adriano Maia dos
metadata.dc.contributor.referee1: Carvalho, Jamille Amorim
metadata.dc.contributor.referee2: Lima, Elvira Caires de
metadata.dc.contributor.referee3: Santos, Adriano Maia dos
Resumo: A presente dissertação analisa as experiências de moradoras de Municípios Rurais Remotos (MRR) do Semiárido brasileiro, por meio de dois eventos traçadores – Atenção ao Pré-Natal, Parto e Puerpério e Controle do Câncer de Colo do Útero. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, cujos dados foram produzidos por meio de entrevistas semiestruturadas realizadas com mulheres, em quatro MRR, de três estados brasileiros – Bahia, Minas Gerais e Piauí. Esse estudo utiliza parte dos dados da pesquisa nacional Atenção Primária à Saúde (APS) em Municípios Rurais Remotos no Brasil coordenada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As participantes do estudo foram 27 mulheres, com idade ≥ 18 anos, residentes em áreas urbanas e rurais de MRR, divididas em dois grupos: grupo 1, 14 usuárias da APS que tiveram gestação/parto nos últimos 12 meses; e grupo 2, 13 usuárias da APS que tiveram um exame de Papanicolau alterado pelo menos há 12 meses. Os resultados estão organizados em dois artigos: 1) Experiências de moradoras em municípios rurais remotos do semiárido brasileiro envolvendo a atenção ao pré-natal, parto e puerpério; 2) Ações para rastreio e controle do câncer de colo do útero de usuárias residentes de municípios rurais remotos do semiárido brasileiro. Em ambos recortes, os resultados evidenciam que as desigualdades no acesso aos serviços de saúde no semiárido brasileiro são persistentes e incidem fortemente entre as mulheres de áreas mais remotas. Ainda assim, a APS despontou como um modelo organizativo fundamental para redução das iniquidades, uma vez que sua capilaridade permite o cuidado cotidiano de moradoras de localidades mais isoladas. Os profissionais da APS, especialmente os agentes comunitários de saúde (ACS), desempenham um trabalho imprescindível para vinculação das mulheres aos serviços de saúde, visto que atuam como porta-vozes da comunidade. Todavia, as barreiras de acesso à atenção especializada perduram e impõem descontinuidade e perda do cuidado em tempo oportuno. Em síntese, nos MRR, as usuárias têm dificuldade de garantia de um cuidado ofertado de maneira articulada entre os diferentes níveis assistenciais. No artigo 1, as usuárias demonstraram satisfação com a qualidade na consulta durante o pré-natal, percepção essa fundamental para garantir uma forte adesão e assiduidade às consultas na APS. Porém, as usuárias, comumente, dependiam de outros meios para acessar exames laboratoriais e de imagem voltados ao da gestação e, no parto, frequentemente não era disponibilizado um transporte sanitário público. No artigo 2, as mulheres que faziam o exame de Papanicolau na APS, igualmente, tinham seu percurso assistencial interrompido ou retardado quando necessitavam de consultas/exames especializados, principalmente diante de lesões precursoras de CCU, dadas às adversidades de deslocamento aos serviços especializados localizados em outros municípios ou em decorrência do atraso na marcação ou regulação das consultas. Assim, as mulheres para acessarem o ginecologista de referência, os exames complementares e, até mesmo, o tratamento em caso de CCU não contavam com a garantia regular de transporte sanitário satisfatório, além disso, a logística para cumprir as trajetórias assistenciais eram fragmentadas e produtoras de iniquidades. Por fim, a fragmentação nas experiências assistenciais para as duas condições traçadoras coloca em xeque a longitudinalidade do cuidado, fazendo com que as populações mais vulneráveis, contraditoriamente, precisem compor um mix público-privado para garantir suas condições mínimas de acesso à saúde, geralmente, por meio de desembolso direto, acirrando, ainda mais, as desigualdades sociais.
Abstract: A Master’s Thesis examines the experiences and care trajectories of residents in Remote Rural Municipalities (RRMs) in the Brazilian Semi-Arid region, through two tracer events - prenatal care, parturition, postpartum care and Cervical Cancer Control. It is a case study overlaid levels of analysis, employing a qualitative approach, with data collected through semi-structured interviews conducted with women in four RRMs across three Brazilian states - Bahia, Minas Gerais, and Piauí. This Master’s Thesis utilizes part of the data from the national research on Primary Health Care (PHC) in Remote Rural Municipalities in Brazil coordinated by the Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP), of the Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). The study participants were 27 women, aged ≥ 18 years, residing in urban and rural areas of RRMs, divided into two groups: group 1 - 14 PHC users who had pregnancy/parturition in the last 12 months; and group 2 - 13 PHC users who had an abnormal Pap smear test at least 12 months ago. The results are organized into two articles: 1) Experiences lived by residents of remote rural municipalities in the Brazilian semi-arid region regarding prenatal, childbirth, and postpartum care: access and care trajectories.; 2) Actions for screening and control of cervical cancer in residents of remote rural municipalities in the Brazilian semi-arid region. In both cases, the results show that inequalities in access to health services in the Brazilian semi-arid region are persistent and strongly affect women in more remote areas. Nonetheless, PHC has emerged as a fundamental organizational model for reducing inequities, as its reach allows for the daily care of residents in more isolated locations. PHC professionals, especially community health workers (CHWs), play an essential role in linkage women to health services, often serving as community spokespeople. However, barriers to access specialized care persist, leading to discontinuity and loss of timely care. In summary, in RRMs, users face difficulty in ensuring coordinated care across different care levels. In article 1, users expressed satisfaction with the quality of prenatal care consultations, which ensured strong adherence and attendance to PHC appointments. However, users commonly relied on other means to access laboratory and imaging tests for pregnancy monitoring, and frequently, public sanitary transport was not available during childbirth. In article 2, women who underwent Pap smear tests in PHC also experienced interrupted or delayed care pathways when they needed specialized consultations/tests, particularly in the case of precursor lesions of cervical cancer, due to difficulties in accessing specialized services located in other municipalities or due to delays in scheduling or regulating consultations. Thus, women needing access to a reference gynecologist, complementary tests, and even treatment for cervical cancer did not have regular assurance of satisfactory sanitary transport, and the logistics to fulfill care trajectories were fragmented and produced inequalities. Finally, the fragmentation in the care experiences for the two conditions studied calls into question one of the essential attributes of PHC, which is the continuity of care, making the most vulnerable populations, paradoxically, need to rely on a mix of public-private services to ensure their minimum health access conditions, usually through the use of financial own resources, further exacerbating social inequalities.
Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde
Saúde rural
CNPq: CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA
Idioma: por
País: Brasil
Editora / Evento / Instituição: Universidade Federal da Bahia
Sigla da Instituição: UFBA
metadata.dc.publisher.department: Instituto Multidisciplinar em Saúde (IMS)
metadata.dc.publisher.program: Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC - IMS) 
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/40683
Data do documento: 11-Jun- 6
Aparece nas coleções:Dissertação (PPGSC - IMS)

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