https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41325
Tipo: | Dissertação |
Título: | Estigma do peso experienciado por docentes universitários brasileiros na fase inicial da COVID-19 |
Título(s) alternativo(s): | Weight stigma experienced by brazilian university professors in the early phase of COVID-19 |
Autor(es): | Oliveira, Micaella de Cássia Meira |
Primeiro Orientador: | Martins, Poliana Cardoso |
metadata.dc.contributor.advisor-co1: | Santana, Mônica Leila Portela de |
metadata.dc.contributor.referee1: | Martins, Poliana Cardoso |
metadata.dc.contributor.referee2: | Bezerra, Vanessa Moraes |
metadata.dc.contributor.referee3: | Silva, Fernanda Rodrigues de Oliveira Penaforte |
Resumo: | A pandemia de COVID-19 transformou drasticamente a vida global e exigiu adaptação dos processos educativos ao ensino remoto emergencial, transição que impôs desafios adicionais aos docentes, que já enfrentavam dificuldades relacionadas à saúde mental e física. O contexto influenciou as práticas alimentares ao associar a padrões corporais e à preocupação com o peso devido a obesidade ter sido apontada como fator de risco para formas graves da COVID-19. Propiciamente, potencializou o estigma do peso, caracterizado por discriminação e preconceito contra indivíduos com excesso de peso. Embora o estigma tenha sido estudado em diversos contextos, há uma carência de pesquisas focadas no estigma do peso, especialmente no âmbito educacional e entre docentes universitários, que evidenciam a necessidade de estudos mais aprofundados nessa área. Com isso, objetivou-se avaliar a prevalência do estigma do peso experienciado por docentes universitários brasileiros no período inicial da pandemia de COVID-19, identificar os contextos de experienciação e estimar e caracterizar fatores associados ao estigma do peso. Trata-se de um estudo transversal com dados coletados on-line em 2020. A variável dependente de estigma do peso experienciado foi determinada a partir dos indivíduos que já haviam sido discriminados ou importunados pelo excesso de peso em algum contexto de experienciação durante a pandemia. As variáveis independentes foram agrupadas em três blocos: socioeconômicas e demográficas; características de saúde geral e estilo de vida; e saúde mental e práticas alimentares. Foi empregada Regressão de Poisson com variâncias robustas e com entrada hierarquizada das variáveis. Dos 1.858 docentes universitários incluídos neste estudo, 65,1% eram do sexo feminino, com média de idade de 46,3 anos (desvio padrão: 10,2 anos), em sua maioria brancos, com companheiro e filhos, titulação de doutorado e renda superior a 10.000 reais, vinculados majoritariamente apenas à Instituições de Ensino Superior pública. A prevalência de experiência de estigma do peso durante a pandemia foi de 16,9% (IC95%: 15,14-18,55), predominantemente ocorrido no âmbito familiar (64,86%; IC95%: 59,38-69,96). O estigma do peso demonstrou associação com idade de forma inversa (p-tendência linear: <0,0001), raça/cor parda (RP: 1,26; IC95%: 1,02-1,56), autoavaliação de saúde ruim (RP: 1,95; IC95%: 1,42-2,69), inatividade física (RP: 1,33; IC95%: 0,02-0,93), índice de massa corporal em sobrepeso (RP: 2,12; IC95%: 1,60-2,82) e obesidade (RP: 3,16; IC95%: 2,41-4,15), comer excessivo (RP: 2,21; IC95%: 1,72-2,84), consumo alimentar reduzido (RP: 1,52; IC95%: 1,20-1,92), diagnóstico de transtornos alimentares (RP: 1,48; IC95%: 1,16-1,89) e sofrimento emocional (RP: 1,32; IC95%: 1,03-1,68). O estigma associado ao peso é notório no contexto familiar, que frequentemente se torna um espaço de crítica e pressão, e a discriminação é mais pronunciada em pessoas mais jovens, reflexo dos padrões socioculturais. Professores, por já vivenciarem inúmeras opressões oriundas de seu exercício laboral, necessitam de maior atenção às suas vivências, pois a experimentação do estigma relacionado ao peso e ao corpo pode somatizar no comprometimento da qualidade de vida e da saúde física e emocional desses profissionais, uma vez que o estigma do peso, embora normalizado socialmente, é intolerável, viola os direitos humanos e afeta persistentemente a saúde física e mental dos indivíduos acometidos. |
Abstract: | The COVID-19 pandemic has drastically transformed global life and required the adaptation of educational processes to emergency remote teaching, a transition that imposed additional challenges on teachers, who were already facing difficulties related to mental and physical health. The context influenced eating habits by associating them with body standards and concerns about weight, as obesity has been identified as a risk factor for severe forms of COVID-19. This has consequently increased weight stigma, characterized by discrimination and prejudice against overweight individuals. Although stigma has been studied in various contexts, there is a lack of research focused on weight stigma, especially in the educational field and among university professors, which highlights the need for more in-depth studies in this area. Therefore, the objective was to assess the prevalence of weight stigma experienced by Brazilian university professors in the initial period of the COVID-19 pandemic, identify the contexts in which it was experienced, and estimate and characterize factors associated with weight stigma. This is a cross-sectional study with data collected online in 2020. The dependent variable of experienced weight stigma was determined from individuals who had already been discriminated against or harassed due to excess weight in some context of experience during the pandemic. The independent variables were grouped into three blocks: socioeconomic and demographic; general health and lifestyle characteristics; and mental health and eating habits. Poisson regression with robust variances and hierarchical entry of variables was used. Of the 1,858 university professors included in this study, 65.1% were female, with a mean age of 46.3 years (standard deviation: 10.2 years), mostly white, with a partner and children, doctoral degree and income above 10,000 reais, mostly linked to public higher education institutions. The prevalence of weight stigma experience during the pandemic was 16.9% (95% CI: 15.14-18.55), predominantly occurring within the family (64.86%; 95% CI: 59.38-69.96). Weight stigma was inversely associated with age (linear p-trend: <0.0001), brown race/color (PR: 1.26; 95% CI: 1.02-1.56), poor self-rated health (PR: 1.95; 95% CI: 1.42-2.69), physical inactivity (PR: 1.33; 95% CI: 0.02-0.93), body mass index in overweight (PR: 2.12; 95% CI: 1.60-2.82) and obesity (PR: 3.16; 95% CI: 2.41-4.15), overeating (PR: 2.21; 95% CI: 1.72-2.84), reduced food consumption (PR: 1.52; 95% CI: 1.20-1.92), diagnosis of eating disorders (PR: 1.48; 95% CI: 1.16-1.89) and emotional distress (PR: 1.32; 95% CI: 1.03-1.68). The stigma associated with weight is notorious in the family context, which often becomes a space of criticism and pressure, and discrimination is more pronounced in younger people, reflecting sociocultural patterns. Teachers, because they already experience numerous oppressions arising from their work, need to pay greater attention to their experiences, since experiencing stigma related to weight and the body can result in compromising the quality of life and physical and emotional health of these professionals, since the stigma of weight, although socially normalized, is intolerable, violates human rights and persistently affects the physical and mental health of affected individuals. |
Palavras-chave: | discriminação percebida professor universitário pandemia viés de peso inquéritos epidemiológicos |
CNPq: | CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE |
Idioma: | por |
País: | Brasil |
Editora / Evento / Instituição: | Universidade Federal da Bahia |
Sigla da Instituição: | UFBA |
metadata.dc.publisher.department: | Instituto Multidisciplinar em Saúde (IMS) |
metadata.dc.publisher.program: | Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC - IMS) |
Citação: | OLIVEIRA, Micaella de Cássia Meira. Estigma do peso experienciado por docentes universitários brasileiros na fase inicial da COVID-19. 2024. 86p. Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) – Instituto Multidisciplinar em Saúde, Universidade Federal da Bahia, Vitória da Conquista, 2024. |
Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
URI: | https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41325 |
Data do documento: | 9-Ago-2024 |
Aparece nas coleções: | Dissertação (PPGSC - IMS) |
Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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DISSERTAÇÃO MICAELLA MEIRA - Estigma do Peso Experienciado em Docentes.pdf | 1,91 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
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