https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41629
Tipo: | Tese |
Título: | Cuidados tecidos por mulheres que usam drogas: experiências e práticas sob um olhar feminista decolonial. |
Autor(es): | Pinheiro, Caliandra Machado |
Primeiro Orientador: | Torrenté, Mônica de Oliveira Nunes de |
metadata.dc.contributor.referee1: | Reis, Ana Paula dos |
metadata.dc.contributor.referee2: | Figueiredo, Angela Lucia Silva |
metadata.dc.contributor.referee3: | David, Emiliano de Camargo |
metadata.dc.contributor.referee4: | Trad, Leny Alves Bomfim |
metadata.dc.contributor.referee5: | Torrenté, Monica de Oliveira Nunes de |
Resumo: | O cuidado integral para pessoas que fazem uso de drogas envolve diversos aspectos, tais como a história de uso de uma população, vulnerabilidades que podem produzir este uso, ou advir deste uso, e ainda as estratégias formuladas para dar conta das questões suscitadas por um uso que pode se configurar em um problema. Em revisão sistemática realizada sobre o tratamento para o uso de drogas por mulheres, foram encontrados resultados que apontam para a influência dos estigmas sociais, atitudes julgadoras dos profissionais e da família e a importância de considerar as necessidades sociais e de saúde através de um cuidado singularizado. Porém poucos trabalhos vão sinalizar o fato de que essas mulheres vivem em sociedades sexistas e de que modo gênero, raça e classe influenciam nos usos de drogas e no seu cuidado. Desta forma, a pesquisa que originou esta tese teve como objetivo analisar as experiências de cuidado de mulheres atendidas por um Centro de Atenção Psicossocial em Salvador, Bahia, para usuárias/os de álcool e outras drogas e as práticas de cuidado acessadas por elas a partir de uma perspectiva feminista decolonial. Para tal, foi realizada uma pesquisa de cunho etnográfico, utilizando o método da História de Vida em combinação com registros fotográficos e Observação Participante, como também um método participativo inspirado nos grupos operativos de Enrique Pichon-Rivière. No estudo das experiências das interlocutoras, foi possível observar que as práticas de cuidado implementadas estiveram relacionadas ao contexto familiar, à educação formal, a questões envolvendo trabalho e renda, à convivência e às redes de sociabilidade, às instituições religiosas e aos serviços de saúde. Em relação aos serviços de saúde, encontramos uma “CAPS centralidade”, onde os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) apareceram como o serviço de saúde centralizador das práticas de cuidado. Ao analisar estas práticas e as trajetórias de vida das interlocutoras, foi possível perceber como gênero, raça e classe, assim como outros marcadores sociais relacionados à orientação sexual, escolaridade e idade, demarcaram limites e possibilidades na construção deste cuidado. Mesmo diante de tais delimitações, foi possível observar que as interlocutoras constroem uma espécie de bricolagem, onde as práticas de cuidado junto às/aos profissionais de saúde são articuladas a outras práticas de cuidado que se constroem junto às suas redes de apoio informais. Esta combinação de práticas de cuidado tem possibilitado que as interlocutoras possam gerir seus desafios cotidianos com menos sofrimento, diminuindo a necessidade de recorrer ao uso de drogas como um anestésico da vida. Tais resultados apontam para a importância da implementação e valorização de práticas decoloniais nos serviços de saúde, tais como a promoção do empoderamento e da construção de coalizões através de reconhecimentos mútuos, o apoio ao livre exercício das religiões, assim como a construção conjunta de outras atividades que levem em consideração as matrizes de opressão que atravessam as existências das mulheres, especialmente as mulheres negras, e a necessidade de produzir autonomia com liberdade e equidade, na contramão da colonialidade do gênero. Por fim, destaco a importância da construção do conhecimento no que tange ao uso de perspectivas femininas negras e decoloniais dentro do campo da Saúde Coletiva. Tal construção do conhecimento é fundamental para o cuidado em saúde mental, para a Reforma Psiquiatra Brasileira e para o fortalecimento de uma luta que pode se tornar antimanicolonial. |
Abstract: | Comprehensive care for people who use drugs involves several aspects, such as the history of use of a population, vulnerabilities that can produce this use, or arise from this use, and also the strategies formulated to deal with the issues raised by such use which can become a problem. In a systematic review carried out on treatment for drug use by women, results were found that point to the influence of social stigmas, judgmental attitudes of professionals and families and the importance of considering social and health needs through unique care. However, few studies highlight the fact that these women live in sexist societies and how gender, race and class influence drug use and treatment. Thus, the research that led to this thesis aimed to analyze the care experiences of women attended by a Psychosocial Care Center for users of alcohol and other drugs and the care practices accessed by them from a decolonial feminist perspective. To this end, ethnographic research was carried out, using the Life History method in combination with photographic records and Participant Observation, as well as a participatory method inspired by Enrique Pichon-Rivière's operative groups. In studying the experiences of the interlocutors, it was possible to observe that the care practices implemented were related to the family context, formal education, issues involving work and income, coexistence and sociability networks, religious institutions and health services. In relation to health services, we find a “CAPS centrality”, where the Psychosocial Care Centers (CAPS) appeared as the health service that centralizes care practices. By analyzing these practices and the life trajectories of the interlocutors, it was possible to see how gender, race and class, as well as other social markers related to sexual orientation, education and age, demarcated limits and possibilities in the construction of this care. Even in the face of such delimitations, it was possible to observe that the interlocutors build a kind of bricolage, where care practices with health professionals are articulated with other care practices that are built alongside their informal support networks. This combination of care practices has enabled interlocutors to manage their daily challenges with less suffering, reducing the need to resort to drug use as an anesthetic for life. Such results point to the importance of implementing and valuing decolonial practices in health services, such as promoting empowerment and building coalitions through mutual recognition, supporting the free exercise of religions, as well as the joint construction of other activities that take into account the matrices of oppression that permeate the lives of women, especially black women, and the need to produce autonomy with freedom and equity, against the coloniality of gender. Finally, I highlight the importance of building knowledge regarding the use of black and decolonial feminism perspectives within the field of Public Health. Such construction of knowledge is fundamental for mental health care, for the Brazilian Psychiatric Reform and for strengthening a struggle that can become anti-manicolonial. |
Palavras-chave: | Transtornos Relacionados ao Uso de Substâncias Práticas de Cuidado Mulheres Feminismo Racismo |
CNPq: | CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA |
Idioma: | por |
País: | Brasil |
Editora / Evento / Instituição: | Universidade Federal da Bahia |
Sigla da Instituição: | ISC-UFBA |
metadata.dc.publisher.department: | Instituto de Saúde Coletiva - ISC |
metadata.dc.publisher.program: | Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC-ISC) |
Tipo de Acesso: | Acesso Restrito/Embargado |
URI: | https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41629 |
Data do documento: | 26-Jul-2024 |
Aparece nas coleções: | Tese (ISC) |
Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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