https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41642
Tipo: | Tese |
Título: | “Aquilombada resisto. Forjemos um mundo novo!“. Escrevivências de mulheres negras ativistas do campo da saúde da população negra da Bahia. |
Autor(es): | Silva, Gabriela dos Santos |
Primeiro Orientador: | Mota, Clarice Santos |
metadata.dc.contributor.advisor-co1: | Trad, Leny Alves Bonfim |
metadata.dc.contributor.referee1: | Santos, Diana Anunciação |
metadata.dc.contributor.referee2: | Ribeiro, Denize de Almeida |
metadata.dc.contributor.referee3: | Trad, Leny Alves Bomfim |
metadata.dc.contributor.referee4: | Ramos, Dandara de Oliveira |
metadata.dc.contributor.referee5: | Mota, Clarice Santos |
Resumo: | “Aquilombada resisto. Forjemos um mundo novo!”. Esse é um trecho que ecoa em toda a escrita desta tese. Trecho de uma música que faz parte do meu tornar-se ativista e a nossa forma de organização: aquilombadas. Escreviver sobre mulheres negras ativistas vem do desejo em reverenciar a nossa ancestralidade, visibilizar escrevivências que rompe com o destino organizado pelo racismo antinegro e potencializar as existências de mulheres construtoras de um mundo novo. O ativismo se insere, nesse sentido, enquanto uma estratégia crucial de enfrentamento à sociedade antinegra e racista. A atuação das mulheres negras ativistas caminha em torno das articulações em rede no processo de consolidação do Bem-Viver. Forjar novas formas (e resgatar as já organizadas) de vida é um desafio para todos os grupos que acreditam em justiça social. Em vista do resgate aos saberes do povo negro, a postura política e epistemológica que assumimos neste trabalho foi a partir da lente interseccional. Olhamos a realidade social a partir do fenômeno interseccional porque nos dá a possibilidade de encarar com responsabilidade e coerência as iniquidades em saúde, como o racismo produz as negligências, e quais corpos são invisibilizados e passíveis de morte. E além, e sobretudo, a lente interseccional nos permite o espaço do protagonismo coletivo, retirar a cortina da invisibilidade e dizer em alto e bom som: somos mulheres potências, somos mulheres trovões! Posto isso, a tese tem o objetivo de analisar trajetórias de mulheres negras cuja atuação no estado da Bahia tem contribuído para a produção de conhecimentos, políticas públicas e/ou práticas ancestrais de cuidados voltados para a saúde da população negra. Para tal, lançou mão da metodologia feminista e antirracista, através da ferramenta da Escrevivência, cunhada pela escritora Conceição Evaristo. As escrevivências percorreram trajetórias – com suas singularidades e vivências comuns – que passam pelo tornar-se ativista, protagonista e referência no campo da Saúde da População Negra, o existir e resistir para o Bem-Viver, o semear das práticas ancestrais de cuidado, além de os caminhos trilhados para a construção de uma Saúde Coletiva antirracista. Busquei ampliar assim o olhar da Saúde Coletiva sobre o seu próprio campo de luta e sua história, buscando conferir visibilidade às muitas mulheres que também lutaram pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela Reforma Sanitária e por justiça social. A Saúde Coletiva precisa reconhecer outras vozes e outros sujeitos que estavam na linha de frente e foram silenciadas(os) e invisibilizadas(os) pelo fato de que o grupo racial branco é o principal reconhecido como protagonistas da área. É, portanto, um trabalho de reparação histórica e de mudança de perspectiva. As Escrevivências aqui contadas marcam territórios de lutas, histórias, potências, existências e corpos que ainda resistem apesar de toda adversidade, e resistem porque há circularidade, há coletivo, há refúgios e estratégias de sobrevivência necessárias para existir nesse mundo. A roda segue girando. “[...] sorrir enquanto luta é uma forma de confundir os inimigos”, nos informa Sérgio Vaz em sua poesia. Sorrir é uma das armas contra o racismo, viver é uma arma poderosa! Bem-Viver é possível? Não temos respostas. Mas enquanto estivermos em luta contra o genocídio, a morte cotidiana, enquanto denunciarmos a necropolítica que estrutura o projeto de morte desse país, enquanto estivermos lutando por um mundo sem racismo, seguiremos essa utopia. Aquilombadas resistimos. Forjemos um mundo novo! |
Abstract: | “Aquilombada. I resist. Let's forge a new world!” This is a passage that echoes throughout the writing of this thesis. It comes from a song that is part of my process of becoming an activist and our form of organization: aquilombadas. Writing about black women activists comes from the desire to reverence our ancestry, to make visible the experiences that break with the destiny organized by anti-black racism, and to empower the existence of women builders of a new world. Activism, in this sense, is a crucial strategy for confronting anti-black and racist society. The work of black women activists revolves around network collaborations in the process of consolidating Well Living. Forging new (and reclaiming already organized) ways of life is a challenge for all groups that believe in social justice. In view of the rescue of knowledge from the black community, the political and epistemological stance we adopted in this work is from an intersectional lens. We examine social reality through the intersectional phenomenon because it allows us to responsibly and coherently address health inequities, such as how racism produces neglect and which bodies are rendered invisible and susceptible to death. Moreover, the intersectional lens enables collective empowerment, removing the veil of invisibility and proclaiming loudly and clearly: we are powerful women, we are thunderous women! With that said, the objective of this thesis is to analyze the trajectories of black women whose actions (in the state of Bahia) have contributed to the production of knowledge, public policies, and/or ancestral care practices focused on black population health. To achieve this, we employed a feminist and anti-racist methodology, using the tool of Escrevivência coined by writer Conceição Evaristo. The Escrevivências encompassed trajectories - with their singularities and shared experiences - that involve becoming activists, protagonists, and references in the field of Black Population Health, existing and resisting for Well Living, sowing ancestral care practices, as well as the paths taken towards the construction of an anti-racist Collective Health. Consequently, I sought to broaden the perspective of Collective Health on its own battle and history, aiming to give visibility to the many women who also fought for the Unified Health System (SUS) and Sanitary Reform, as well as social justice. Collective Health needs to recognize other voices and subjects who were at the forefront but were silenced and made invisible due to the fact that the white racial group is primarily recognized as the protagonists in the field. Therefore, this work is both a historical reparation and a change in perspective. The Escrevivências told here mark territories of struggles, stories, powers, existences, and bodies that still resist despite all adversity, and they resist because there is circularity, there is collective, there are refuges and survival strategies necessary to exist in this world. The wheel keeps turning. “[...] smiling while fighting is a way to confuse the enemies”, informs us Sérgio Vaz in his poetry. Smiling is one of the weapons against racism, living is a powerful weapon! Is Well Living possible? We do not have answers. But as long as we do not normalize genocide, daily death, as long as we denounce the necropolitics that structure the death project of this country, as long as we are fighting for a world without racism, we will continue this utopia. We resist together. Let's forge a new world! |
Palavras-chave: | Mulheres Negras Saúde da População Negra Ativismo Feminismo Negro Escrevivência |
CNPq: | CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA |
Idioma: | por |
País: | Brasil |
Editora / Evento / Instituição: | Universidade Federal da Bahia. Instituto de Saúde Coletiva |
Sigla da Instituição: | ISC-UFBA |
metadata.dc.publisher.department: | Instituto de Saúde Coletiva - ISC |
metadata.dc.publisher.program: | Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC-ISC) |
Tipo de Acesso: | Acesso Restrito/Embargado |
URI: | https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41642 |
Data do documento: | 12-Abr-2024 |
Aparece nas coleções: | Tese (ISC) |
Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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